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Archive for fevereiro \26\UTC 2011

Apesar de ser absolutamente contrário ao regime líbio e do seu ditador, Khadafi, alguns questionamentos não saem da minha cabeça.

Uma coisa, pra mim, é certa. Há uma guerra civil no país. Nenhum governante, por mais louco que possa parecer, sai matando tanta gente assim. Não consigo acreditar nas informações da mídia que dizem, com outras palavras: “líder maluco e sanguinário manda matar manifestantes em protestos pacíficos”. Só se Khadafi fosse um imbecil. Mas nenhum imbecil governa um dos maiores poços de petróleo do mundo por 40 anos.

Daí surgem muitas perguntas:

Por que não há imagens, fotos, videos com as cenas de assassinato nas praças? Como é que, na era da internet, em uma revolução que, segundo a mídia, está sendo feita pela internet, como é que não há um único video dos aviões líbios bombardeando os manifestantes?

Como é que num país que nunca teve uma oposição organizada, de repente surge uma oposição armada capaz de tomar a segunda maior cidade do país? Ninguém vai me fazer acreditar que essa oposição se organizou pelo facebook e pelo twitter.

Não tenho muita dúvida que essas armas vieram de fora da Líbia, com intuito de derrubar Khadafi. Mas quem as forneceu? Quem organiza e arma a oposição na Líbia? Americanos ou iranianos? A Al Qaeda ou a Irmandade Muçulmana?

E, por último, outra afirmação que considero relevante. Khadafi sempre foi considerado louco. Eu não consigo, mais uma vez, acreditar que um maluco possa sentar sobre uma das maiores reservas de petróleo do Mundo por 40 anos. O problema – no campo simbólico – do mundo ocidental com Khadafi é a forma como ele se veste. Para nós, os grandes líderes, homens importantes, governantes que tomam decisões, devem se vestir de terno e gravata, como um grande empresário. Afinal, qual roupa você usaria para se encontrar com o presidente dos EUA?

Afinal, beduínos não mandam no mundo real. E nem no simbólico.

Aliás, antes que me xinguem: que bom o Kadafi vai cair!

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Durante mais de vinte anos, Ricardo Teixeira guardou uma carta na manga.

Na mesma semana em que reconheceu que o Flamengo (também) é campeão brasileiro de 87, se desencadeou a maior crise política do futebol brasileiro, pelo menos, ironicamente, desde 87.

O Clube dos 13, dirigido por Fábio Koff, deu claros sinais que, finalmente, ia fechar o contrato de transmissão com a Record.

Ricardo Teixeira e Andres Sanchez, fechados com a Globo, ameaçaram tirar o Timão do Clube dos 13, para negociar separadamente com a emissora carioca.

Depois de reconhecer o Flamengo como campeão de 87 – tirando a carta da manga -, Teixeira conseguiu puxar Patricia Amorim para o lado da CBF. Com Flamengo e Corinthians fora do barco, os outros 3 grandes clubes cariocas também abandonaram a negociação conjunta do Clube dos 13.

Apesar das críticas, a movimentação dos clubes do Rio + Corinthians tem um sentido muito claro, e talvez seja a melhor fórmula para todos.

Apesar do crescimento da Record, a Globo segue sendo a maior emissora do país e está localizada no Rio. Daí o interesse da família Marinho em manter, ao menos, as transmissões das duas maiores torcidas do país e dos clubes de sua cidade.

Para a Globo, é muito mais interessante transmitir apenas os jogos dos times do Rio e do Corinthians, o que lhe garante mais da metade da audiência. Só Flamengo e Corinthians, correspondem por 30% dos torcedores do país. Vasco (6%), Fluminense (3%) e Botafogo(3%), cerca de 12%.

Pelo tamanho de suas torcidas, pela expressão nacional de Flamengo, Corinthians e também do Vasco, e por estarem no Rio, sair do bloco do Clube dos 13 talvez seja mais vantajoso para esses 5 times.

A questão é saber se a Record vai querer negociar com os outros clubes, sem as principais forças de audiência. Pela volúpia com que ela vem tentando levar o Brasileirão, é provável que sim. Ninguém sabe o que se passa na cabeça de Edir Macedo. Sua ânsia por comprar o Brasileirão me parece tão grande, que eu não me arriscaria a dizer que ele não compraria a metade do campeonato.

Mas se a Globo fechar com os 5 clubes, é capaz de a Record sair da jogada e os demais clubes do país terem que se ajoelhar perante os Marinho/Ricardo Teixeira, pra ver se arrumam algum trocado.

O melhor balanço para os clubes (e para a Globo) seria esse estranho arranjo de um campeonato divido entre Globo e Record. Um equilíbrio que talvez não seja nem juridicamente correto, além do que, de fato a Record sairia perdendo.

Esse equílibrio ideal para os clubes, ao menos por enquanto, me parece tão seguro como a Taça de Bolinhas do Flamengo.

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Brasil: Potência Industrial ou Exportador de Commodities.

A crítica dos  ‘mercados’ ao programa de investimentos da Petrobrás (US$ 224 bilhões até 2014), e sobretudo à decisão da empresa de construir cinco novas refinarias no país (US$ 73,6 bi), não se resume a um conflito paroquial entre  governo e oposição. Trata-se, na verdade, de mais um embate entre a lógica financista que motivou as tentativas de privatizar a empresa, no governo FHC, e as políticas soberanas de investimento resgatadas pelo governo Lula, mas nunca digeridas pelo mercadismo e seus ventríloquos na mídia. A pressão contra o investimento é diretamente proporcional à ganância dos acionistas pela captura dos  lucros da empresa. A lógica é simples: o lucro canalizado para a  expansão produtiva não será distribuído aos acionistas, leia-se, investidores individuais, grandes bancos, fundos e mega-interesses internacionalizados. Não adianta dizer que o investimento feito hoje apenas adia os ganhos embolsáveis num primeiro momento, para ampliá-los no passo seguinte. Personagens típicos da era da financeirização, os fundos e bancos de investimentos são instrumentos do  imediatismo rentista. Avessos a projetos de desenvolvimento de longo prazo, preferem comprar empresas prontas – de preferência estatais, deliberadamente sucateadas e barateadas – a apostar em expansões ou novas plantas produtivas.  O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, recusa-se a administrar o patrimonio soberano  do pré-sal pautado pela ganância infecciosa que levou o mundo à maior crise capitalista desde 1929: “Não investir em refinarias neste momento é suicídio a longo prazo”, diz ele para completar: “o país está no limite do refino e há um crescimento exponencial (da oferta no horizonte)… se a empresa não der prioridade a seus investimentos, nos próximos anos terá que exportar petróleo e importar derivados”, arremata. Talvez seja isso mesmo que os críticos almejam: transformar a Petrobrás numa Vale do Rio Doce. A mineradora decidiu distribuir US$ 4 bilhões aos acionistas em 2011, mas se recusa a investir US$ 1,5 bi numa fábrica de trilhos no país. Exportamos ferro bruto para a China; importamos trilhos chineses para as ferrovias do Brasil.

(Carta Maior, 3º feira, 22/02/2011)

 

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Os 100 primeiros dias de qualquer governo sempre trazem de brinde um saco de maldade.

Há muita reclamação e pouca compreensão sobre a movimentação da equipe econômica de Dilma nesses 100 primeiros dias.

O corte de gasto, o aumento inexpressivo do salário mínimo e a alta de juros não podem surpreender quem acompanhou a economia durante o governo Lula.

Suas duas principais promessas de campanha foram: eliminar a miséria e trazer os juros brasileiros a níveis civilizados.

Mas então, porque aumentar juros, cortar gastos e não negociar o mínimo?

A resposta é simples.

1 – Depois da crise, o Brasil pisou no acelerador. Aumentaram-se os gastos e o crédito para além do programado. O país saiu muito rápido – e bem – da crise. É natural que se retome o ritmo normal pré-crise.

2 – 2010 foi ano eleitoral, e Lula – assim como os governadores – abriram a torneira. Como sempre se faz.

3 – Houve, no últimos meses, um aumento absurdo dos preços de produtos alimentícios. Em nível internacional, por conta de uma série de fatores sazonais. Foi o que desencadeou essa onde de revoltas no mundo árabe.

Tudo isso pressionou a inflação – sobretudo para os mais pobres.

Medidas para conter a alta dos preços eram necessárias.

O regime de metas de inflação, cambio flutuante e juros foram adotados pelo governo Lula. Dilma promoteu continuidade. É nessas bases que se movimente a política macro-econômica. As ferramentas são essas, mesmo que não gostemos.

Isso não quer dizer que Dilma se rendeu ao neoliberalismo.

O estilo tecnocrata de Dilma chega a confundir, mas não se pode tachar nela a pecha de financista. Lembrem-se que, em 2005, Dilma veio a publico classificar como de “rudimentar” a proposta de ajuste fiscal de longo prazo capitaneada pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento) com o apoio de Palocci.

E disse que o país deveria reduzir os juros “para sair do atoleiro”.

Afirmou que a política monetária de juros altos minimiza o efeito da política fiscal (corte de gastos) e “enxuga gelo”, pois não diminui significativamente a dívida pública.

Sigo com a certeza de que Dilma está mais perto do desenvolvimentista sem ambições do que do financista que quer ser presidente.

 

Presidenta Dilma. Desenvolvimentista sem maiores ambições. Financista que só pensa na faixa presidencial.

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Eu não sei com qual intenção – ou se é apenas burrice, mesmo – mas diversos comentadores do PiG repetem diariamente que os protestos no Oriente Médio tem sido “organizados a partir das redes sociais”.

Eu, sinceramente, não acredito nessa palhaçada. Se no Brasil apenas 30% da população tem internet, qual o percentual egípcio? 15%? 20%?

A internet pode catalizar, ampliar, trazer gente nova. Mas a verdadeira luta é real. Revolta só se faz na rua. São duros os cacetetes. O gás lacrimogênio e o spray de pimenta dilatam os olhos. As balas nem sempre são de borracha.

A política, a revolta, o protesto, a revolução exigem uma densidade que não pode ser virtual. Nenhum ditador vai cair se você xingar muito no twitter.

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Depois de quase um mês parado, o blog do Garfar está de volta e, em meio a tanta palhaçada entorno da votação do salário mínimo, tento trazer algumas verdades que a grande mídia não trouxe a luz.

Todos sabem, o aumento para R$545 é ridículo.

O que pouco se falou foi da manobra tácita articulada entre governo e oposição para aprovar a matéria.

Depois de muito aparecer – o que sabe fazer de melhor – Paulinho (PDT/SP) e a Força Sindical chegaram aos números com mais chances de vitória. Ao lado do pequeno bloco formado por PV e PPS, o PDT propôs uma antecipação do salário do ano que vem para esse ano.

Isso quer dizer que o mínimo receberia um reajuste para 560 em 2011, mas ano que vem continuaria subindo para 615. Ou seja, aquele cálculo acordado entre as centrais e o Lula – PIB de 2 anos atrás + inflação – incidiria sobre 545, não sobre 560. Essa opção, se não saísse vencedora, levaria consigo boa parte dos deputados governistas, abrindo uma pequena crise entre Dilma e sua base na Câmara.

A jogada oportunista da oposição Demoníaca foi atropelar a proposta da Força Sindical e propor R$560 sem que fosse uma antecipação. E, pior, a proposta do DEMO era eliminar do texto legal a garantia do crescimento do mínimo nos próximos 4 anos, decretada por Lula em 2007 e enviada por Dilma à Câmara como projeto de Lei. Ou seja, ao mesmo tempo que propunha aumentar o salário para R$560, a oposição Demoníaca quis a acabar com a regra que valoriza o salário mínimo.

A derrota da proposta dos democratas eram favas quase contadas. O que ACM Neto quis foram 20 segundo no Jornal Nacional, discursando em defesa do trabalhador. Os democratas quiseram o palanque para defender os R$560, mas atuaram nos bastidores para defender o salário mínimo de R$545.

A proposta, possivelmente vencedora do Paulinho da Força sequer foi votada.

Algo que precisa ser dito é que ontem não foi aprovado apenas o salário mínimo de 2011, e sim a forma com ele será calculado até 2015. O decreto acordado entre Lula e as centrais em 2007 – PIB de 2 anos atrás + inflação – foi enviado por Dilma e aprovado pela Câmara com força de lei até 2015. Os trabalhadores terão aumento real, de forma sustentada, por pelo menos mais quatro anos.

Isso quer dizer que se o país mantiver um crescimento de 5% e uma inflação de 4% nos próximos anos, o salário mínimo vai fechar o governo Dilma na casa do R$800.

O decreto de Lula prevê o mesmo cálculo até 2023. Mesmo com uma desaceleração (natural) da economia brasileira, é bastante provável que o mínimo feche esse ciclo histórico na casa dos R$1500.

Era isso que ACM Neto realmente combatia, enquanto fingia defender os trabalhadores na tribuna da Câmara.

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