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Archive for agosto \02\UTC 2011

Findo mandato Dinamite, uma pequena avaliação

Não foi desta vez.

Eleito sob a promessa de tirar o clube da Idade Média e refundar a democracia cruzmaltina, o final do mandato de Roberto Dinamite fecha a tampa do caixão da Esperança que ele representou, revelando mais uma vez que, do ponto vista administrativo, sua gestão só avançou naquilo que já era ruim para o Clube.

Dívida

Um dos grandes problemas do clube – problema de todos os grandes clubes, era  o tamanho de sua dívida. Para equacionar dívida, em qualquer lugar do mundo, só existem dois caminhos: ou se dá calote ou se paga (com ou sem acordos). Quem não quer solucionar escolhe os dois: dá calote sem declarar e finge que paga. E a dívida, enquanto isso, só aumenta. Foi esse o caminho adotado pelo “Novo Vasco”: deu uma canetada para dizer que o Eurico deixou o Vasco devendo bilhões e passou a fingir que pagava uma dívida que não existia. Enquanto isso, parou de pagar os acordos trabalhistas e de recolher impostos.

Resultados: (1) o Vasco saiu do acordão com a Justiça do Trabalho, e a cada derrota na justiça se vê obrigado a pagar na hora e (2) sem recolher impostos, o clube perdeu a Certidão Negativa de Débitos, ficando impedido de receber a remuneração de seu principal parceiro, a estatal Elotrobrás.

Estrutura

Um grande problema dos grandes clubes cariocas continua sendo a estrutura de trabalho. O Vasco, assim como o Fluminense, por tempos já estão mais adiantos que os outros dois grandes, apesar de grandes deficiências.

Com um estádio próprio – e nele, instalações hoteleiras para concentração, e alugando o Vasco-Barra, o clube dispunha de uma estrutura modesta, mas completa, para o clube profissional e caminhava na direção da construção do CT de Caxias.

Pois o que se viu no Novo Vasco foi o abandono dessa estrutura – que apesar de não estar no mesmo nível da grandeza do clube – é, evidente, melhor que o nada. Pois o “Novo Vasco” escolheu o nada. Em 2009, o clube foi despejado do Vasco-Barra por falta de pagamento de aluguel. Descontente com a estrutra do Hotel de São Januário, Dinamite tirou os jogadores desta concentração e contratou a empresa de seu genro (a GenroTour) para contratar um hotel no Rio de Janeiro para que o clube se hospedasse nas vésperas dos jogos. O CT de Caxias foi abandonado em troca de uma promessa de que um dia quem sabe talvez o prefeito de Macaé iria nos oferecer um terreno.

Por outro lado, neste últimos anos, foram feitas algumas obras pontuais (e importantes) em São Januário. Além da nova pintura, a sala de imprensa, o vestiário e a sala de musculação entraram no século XXI – com dez anos de atraso. Tudo feito em excelentes parcerias com a Brahma.

Futebol – da queda ao Alto da Glória

A atual administração do clube quer vender que ela fez o Vasco retomar o caminho das vitórias. É preciso lembrar (é realmente preciso, porque tem gente que quer reescrever esta história) que foi Dinamite quem levou o Vasco pra segunda divisão. Pegou um time em oitavo, trocou metade do elenco no meio do campeonato, tirou o técnico e deu no que deu.

O ano de 2010 foi aquela pasmaceira de anos atrás.

Já o ano de 2011 parecia perdido. Com um começo de Carioca ridículo, tudo parecia apontar para um ano como o de 2008.

Mas como estamos em ano eleitoral, Dinamite deu um jeito: assinou com a Globo e a CBF os contratos de TV, em um contrato lesivo ao clube, mas em troca recebeu um aporte generoso da Traffic e do BMG. Chegaram Diego Souza, Ricardo Gomes e Alecsandro – que no começo do ano haviam dito que o que o Vasco oferecia era muito pouco.

O time melhorou, levou a Copa do Brasil e agora vai bem no Brasileiro. A conta? O Vasco vai receber menos cotas de TV que o Flamengo, Corinthians e São Paulo, para sempre. E uma dívidazinha de 9 milhões com o BMG. A carreira política de Dinamite foi salva.

Democracia e Transparência

Tudo como dantes, o nepotismo, a remessa ilegal de divisas na venda de jogador, contas não aprovadas, não recolhimento de impostos, despejo do CT, aumento da dívida, atraso no pagamento de salários. A situação administrativa do Vasco é pior do que anteriormente.

Mas se nos tempos do Eurico, a mídia se escandalizava com esses descalabros, hoje, ela os encobre. Estava na boca do povo: “na eleição do Vasco, morto vota”.  Nada mudou. O cadastro do Novo Programa de Sócios do clube é uma piada, feito pela internet, sem foto, sem comprovantes, sem documentos.

Dos novos sócios,

1 – 4.000 não tem pai ou mãe.

2 – 2.000 vivem no mesmo CEP.

3 – 9.000 não tem fotos cadastradas no clube.

Isso quer dizer: qualquer um pode se cadastrar, vivo ou morto. Basta entrar no site e escrever. Depois, se vira pra arrumar uma identidade.

O problema era tão grande que a atual administração não conseguiu produzir a tempo uma lista de sócios aptos a votar.

A eleição foi adiada.

As chapas oposicionistas não receberam a lista de associados, apenas puderam visualizá-la.

As duas chapas com capacidade de vencer as eleições (a de Pedro Valente e a de José Henrique Coelho) retiraram suas candidaturas ontem. As eleições estão ocorrendo agora.

A eleição de hoje, no Vasco, é uma loucura ainda maior do que nos tempos de Eurico.

A diferença?

A notícia:

“Eleição Presidencial do Vasco começa em clima de paz na Colina” 

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2011/08/eleicao-presidencial-do-vasco-comeca-em-clima-de-paz-na-colina.html

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2011/08/eleicao-presidencial-do-vasco-comeca-em-clima-de-paz-na-colina.html

 

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